O Instituto Interamericano de
Cooperação para a Agricultura (IICA) vai coordenar este ano no Brasil uma
pesquisa sobre as mulheres e os jovens que vivem no campo. A intenção é
detectar as principais necessidades desses grupos e dar subsídios para o desenvolvimento
de políticas públicas.
A
atenção a mulheres e jovens rurais nos países americanos será uma das
prioridades do novo diretor geral do IICA, Manuel Otero, que tomou posse nessa
segunda-feira (15). Serão feitos levantamentos em países representativos da
América e o Brasil é um deles. Os demais ainda estão sendo definidos. “Mulheres
e jovens, sejam da área rural ou urbana, são os grupos menos atendidos da
região. São os que têm menos atenção por parte das políticas públicas e
representam um setor extremamente importante”, diz o assessor especial de
Otero, Jorge Werthein.
Werthein,
que já foi representante da Oganização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, diz que é necessário ouvir o que querem
esses grupos e verificar como estão sendo atendidos. Para mostrar a necessidade
de atenção, ele cita um estudo da Unesco sobre o papel das mulheres em
assentamentos rurais, mostrando que quando se trata de manifestações, elas
estão “na primeira fila, mas quando retornam aos assentamentos, o que lhes
resta é a panela. Não têm espaço”, diz. O estudo Companheiras de luta
ou coordenadoras de panelas? está disponível na internet.
Em
relação à juventude, o asessor faz um alerta: “Juventude que não tem sistema
educacional, que não tem cultura, não tem possibilidade, vai embora do campo,
não tem perspectiva de futuro. A droga tem penetrado no campo e está capturando
esses jovens”, diz.
O
projeto será desenvolvido com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). “O
IICA tem ajudado e pode ampliar ainda mais a qualificação em nosso país”,
comenta o secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Caio
da Rocha.
Segundo o secretário, o Brasil
tem que alicerçar políticas que possam desenvolver talento, aptidão e dar
condições “para que os jovens possam se aperfeiçoar e permanecer no processo
agrícola, ou pelo menos, parte deles”. Precisa também de políticas que
valorizem a mulher rural.
De
acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 15% dos
brasileiros vivem em áreas rurais, como mostra a Pesquisa Nacional por Amostra
de Domicílios (Pnad) 2015. Cerca da metade é mulher, o que totaliza
aproximadamente 14,1 milhões. Elas são responsáveis, por exemplo, por 44% das
compras feitas por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo
federal.
Os
jovens são cerca de 8 milhões, com idade de 18 a 29 anos. Eles foram
responsáveis por acessar 37,4% dos recursos destinados ao Programa Nacional de
Crédito Fundiário (PNCF), entre os anos de 2002 e 2013.
IICA no Brasil
O
IICA foi fundado em 1942, com o objetivo de promover uma agricultura
competitiva, sustentável e inclusiva para as Américas. É o organismo
especializado em agricultura e bem-estar rural vinculado à Organização dos
Estados Americanos (OEA). O Brasil passou a fazer parte do IICA em 1964. O
instituto está presente em 18 países, com 34 escritórios com capacidade
técnica.
O
principal papel do IICA é oferecer cooperação técnica em projetos com o governo
federal e os estaduais. Atualmente, estão em desenvolvimento 22 projetos no
Brasil.
Texto:
Mariana Tokarnia
Foto: Internet
Jovens
brasileiras que vivem no campo serão tema de pesquisa

Nenhum comentário:
Postar um comentário