Nessa
quinta-feira (15), foi celebrado o Dia Mundial de Conscientização da Violência
contra a Pessoa Idosa. Minas Gerais é o segundo estado em quantidade de idosos
do país que somam 15% da população mineira, segundo a última Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo IBGE. E a tendência é
de crescimento desta população com 60 anos ou mais. Por isso, o Governo de Minas Gerais, desenvolve uma série de ações que integram a segurança
pública, direitos humanos, saúde e assistência social.
Alguns resultados já aparecem. De acordo com a Secretaria
de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais (Sesp),
nos primeiros quatro meses deste ano, o número de infrações ao Estatuto do
Idoso diminuiu 12%, se comparado com o mesmo período do ano passado. Entre 2015
e 2016, houve um aumento de 5,5%.
A delegada Larissa Maia, da Delegacia Especializada de
Atendimento ao Idoso e à Pessoa com Deficiência (Deadi), explica que existe um
aumento na quantidade de registros quando a população está mais consciente e a
tendência é de queda em seguida, como tem acontecido.
"Criar uma rede de proteção e de informação que reúna a
sociedade civil e as três esferas de governo é essencial para mudar esse
cenário. O medo e a falta de conhecimento fazem com que o idoso e as pessoas
que sabem da agressão fiquem em silêncio”, assinala a delegada.
O aposentado Antônio Xavier da Cruz, 76 anos, reconhece a
importância disto. Ele sempre lutou pelo direito à dignidade humana. Quando
começou a envelhecer, ficou ainda mais atento ao tratamento dado aos idosos.
Ele não gostou do que viu e decidiu agir. Ajudou a fundar o Movimento de Luta
Pró-idoso de Belo Horizonte, no qual é conselheiro, além de atuar como
presidente do grupo de convivência Prima Vida e participar da ONG Luz e
Sabedoria.
“Dói muito ver uma pessoa ter seu direito desrespeitado e ser
tratada como descartável. Ainda mais o velho que um dia ajudou a construir a
família, a economia, a sociedade. A educação é o caminho para o respeito. Por
isso, eu uso o Estatuto do Idoso como argumento de defesa até no meu dia a dia.
Um dia, por exemplo, eu estava em um ponto de ônibus, dei o sinal e o motorista
passou sem parar. Todo mundo ficou revoltado. Eu pego ônibus sempre ali.
Esperei pelo dia seguinte e, no mesmo horário e local, abordei o motorista. Ele
se desculpou. Isso nunca mais aconteceu. Eu não posso combater a violência
sendo violento. Então, se a pessoa me agride, eu defendo meu direito antes de
partir para a briga”, comenta.
O estado conta, hoje, com uma delegacia especializada para o
atendimento ao idoso, localizada em Belo Horizonte, e com um Núcleo de
Atendimento ao Idoso, em Juiz de Fora, no Território Mata.
“A cidade é, percentualmente, o terceiro município com
mais de cem mil habitantes com a maior população de idosos, atrás apenas
de Porto Alegre e Rio de Janeiro. O Núcleo é um ponto de referência, de apoio e
de proteção da parcela da população que mais cresce no mundo”, ressalta o
delegado Sérgio Luiz Moreira, responsável pela unidade. Nas demais cidades do
interior, as denúncias podem ser feitas diretamente nas delegacias que atendem
o município.
Para a delegada
Larissa Maia, o atendimento especializado é avanço que deve ter continuidade em
todo estado. E enquanto este processo ocorre, as denúncias não devem cessar.
“Todos os registros de qualquer violação prevista no Estatuto
do Idoso podem ser realizados em qualquer delegacia de Minas Gerais. O boletim
de ocorrência é um instrumento que norteia as políticas públicas e por isso
deve ser feito. De janeiro a junho deste ano, foram registrados, somente em
Belo Horizonte, 1.035 casos de violência envolvendo pessoas com mais de 60
anos. O número se manteve estável em relação ao mesmo período de 2016, que
contabilizou 1.028 casos”, observa Larissa.
São dados como estes que possibilitaram traçar um perfil da
agressão registrada na capital:
Texto: Agência Minas

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