Na Semana Mundial do Meio Ambiente, celebrada nesta
segunda-feira (5), Minas Gerais tem motivos para comemorar e também muitos
desafios pela frente. Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata
Atlântica, da Fundação SOS Mata Atlântica, apontam que o desmatamento do bioma
caiu 4% no estado no período 2015-2016 em relação ao período 2014-2015.
Comparado aos anos 2011 e 2012, a redução ultrapassa os 30%. Apenas três
estados brasileiros registraram queda neste período. O desmatamento da floresta
nativa nos 17 estados com Mata Atlântica no país cresceu 57%.
Segundo a diretora de Conservação e Recuperação
de Ecossistemas do Instituto Estadual de Florestas (IEF),
Fernanda Teixeira Silva, o IEF trabalha para aumentar a cobertura florestal do
estado. “Nos últimos anos, temos buscado muito mais que o aumento quantitativo
de vegetação. Atuamos em áreas consideradas prioritárias para conservação e
recuperação de ecossistemas, fazendo, por exemplo, a adequação das propriedades
rurais e, principalmente, fomentando a recuperação de áreas degradadas junto à
sociedade. Este trabalho tem feito a diferença, mas ainda há muito que se
avançar”, afirma.
Entre 1985 e 2015, ainda de acordo com dados da
SOS Mata Atlântica, Minas Gerais foi o segundo estado com maior regeneração do
bioma no país, com 59.850 hectares de Mata Atlântica recuperados. A cidade de
Águas Vermelhas, no Vale do Jequitinhonha, é a que teve mais áreas regeneradas,
com um total de 3.666 hectares, seguida por Teófilo Otoni (2.017 ha) e Novo
Oriente de Minas (1.988 ha), ambas no Vale do Mucuri.
Para frear o desmatamento, ainda alto no
estado, o IEF desenvolve ações em parceria com produtores, comunidades,
prefeituras e empresas. Um dos principais caminhos é oferecer alternativas mais
sustentáveis para quem tira a renda da terra, de modo que nem o meio ambiente
fique prejudicado e nem o produtor.
“Temos os programas de fomento florestal, que
incentivam a recuperação e enriquecimento das matas com a distribuição de mudas
nativas e frutíferas, insumos e assistência técnica a produtores rurais.
Eles podem procurar a unidade regional do IEF
mais próxima e participar do programa”, destaca Fernanda.
De 2006 a 2016, os programas de fomento do IEF
apoiaram a recuperação de 84,2 mil hectares, tendo sido produzidas cerca de
17,5 milhões de mudas nativas.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento
Sustentável (Semad) também
realiza ações de fiscalização ambiental em todo o estado. Somente no bioma Mata
Atlântica, foram 1.073 ações em 2016 e 2017. Foram aplicadas multas num total
de R$31,3 milhões.
Minas é um dos estados brasileiros que possui
maior parcela de vegetação nativa. Aqui, podem ser encontrados três biomas:
Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. Segundo o Mapa da Cobertura Vegetal de
Minas Gerais, cerca de 34% do seu território ainda possui vegetação nativa.
Atento à preservação da sua terra, o produtor
rural Gilberto Lima, de Ladainha, no Território Mucuri, acaba de plantar duas
mil mudas em sua propriedade. “Já tenho árvore plantada há mais de dez anos, e
outro dia peguei no IEF mais 50 mudas de açaí. A área é toda preservada e cuido
direitinho de tudo”, diz. Ele conta que a consciência ambiental só surgiu por
influência dos filhos, um engenheiro ambiental e o outro florestal, e devido ao
trabalho do IEF.
Nos 48 hectares de terra, Gilberto tem árvores
de Jambo, Jamelão, Pinha, Amora, Goiaba, Açaí, entre outras, além de três
nascentes preservadas.
Outra iniciativa de recuperação florestal
realizada pelo Governo de Minas Gerais é o Plantando o Futuro, coordenado pela Codemig.
Como parte do projeto, foi formalizado um termo de cooperação mútua entre
Codemig e IEF que prevê a reestruturação de três viveiros do IEF, em Corinto,
Patos de Minas e Leopoldina, que serão responsáveis pela produção de dois
milhões de mudas por ano para atendimento ao projeto. O Plantando o Futuro
concluiu, em maio deste ano, o plantio de 225.254 mudas de árvores nativas em
áreas degradadas e a proteção e recuperação de 20 nascentes.
A modernização dos viveiros de produção de
mudas do Instituto Estadual de Florestas é mais uma das medidas para estimular
a recuperação das florestas de Minas Gerais. O projeto de recuperação do bioma,
o Promata II, aplicará recursos de cerca de R$ 1,5 milhão que serão destinados
às unidades de Leopoldina e Ubá, no Território Mata, Lavras, no Sul, e Governador
Valadares, no Vale do Rio Doce. Atualmente, o IEF administra 62 viveiros, com
capacidade anual de produção de seis milhões de mudas nativas.
Texto: Agência Minas
Foto: Carlos Alberto / Imprensa MG
Semana Mundial do Meio Ambiente é celebrada nesta segunda

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