O governo não deverá abrir mão da proposta de
antecipar a alfabetização das crianças para o 2º ano do ensino fundamental,
como está previsto no texto da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) enviado
pelo Ministério da Educação (MEC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE).
Atualmente,
as diretrizes curriculares determinam que o período da alfabetização deve ser
organizado pelas escolas até o 3º ano do ensino fundamental. Esse também é o
prazo previsto no Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, que estabelece
que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos de idade. No entanto,
o texto da Base Nacional encaminhado ao CNE prevê que as crianças deverão
ser capazes de ler e escrever até o 2º ano do ensino fundamental,
geralmente aos 7 anos.
O secretário
de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares da Silva, disse que a pasta poderá
até avaliar alguma mudança proposta pelo Conselho, mas mantém sua convicção no
modelo apresentado, que prevê a codificação da alfabetização até o 2º ano.
“As crianças
mais ricas já estão plenamente alfabetizadas ao final do 2º ano. Por que não
devemos brigar pelo direito para as crianças que mais precisam? A convicção do
MEC está mantida neste sentido. Qualquer posição que vier do CNE o Ministério
vai avaliar, mas hoje temos essa convicção desse ponto internamente no
ministério”, disse Silva à Agência Brasil.
O presidente
da comissão do CNE responsável pela análise da Base Nacional Comum Curricular,
César Callegari, acredita que pode haver uma convergência entre as posições do
Conselho e do Ministério da Educação sobre o assunto. “O tema será objeto de
diálogo com o MEC antes de chegar a uma finalização aqui dentro. A ideia é que
a gente tente buscar convergência naquilo que pode representar um avanço e
continue discutindo temas que não são tão essenciais e que se ficarem com um
ponto de impasse poderia atrasar todo o processo da Base”.
O texto da
Base deverá ser analisado pelo CNE até dezembro. Até agora, cerca de 2 mil
contribuições foram enviadas para aperfeiçoar o documento, que define os
direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento para todos os alunos da
educação básica do país. Depois de aprovado pelo CNE, o texto será encaminhado
para homologação do ministro da Educação.
Texto: Sabrina Craide / Agência Brasil
Foto: Ilustrativa /
Internet
MEC não
abrirá mão de antecipar alfabetização até o 2º ano

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